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  • Mariana Meireles

Reflexões sobre o sofrimento


Estive refletindo muito sobre a questão do sofrimento esses dias e então resolvi escrever esse breve texto com algumas provocações/reflexões. Com alguma recorrência tenho escutado: “precisamos estancar o sofrimento”, “tem que engolir o choro”, “isso vai virar depressão”... Muitas sentenças que afirmam que o sofrimento é um aspecto extremamente negativo.

Não se pode vivenciá-lo, tem que fugir dele a qualquer custo senão sua vida “desanda”. Bom, o que tenho refletido é sobre essa necessidade de se apresentar “feliz” o tempo todo, e a partir disso não se pode sofrer. Em tempos de redes sociais, vidas perfeitas e felizes passam a ser um verdadeiro comércio, e por sinal, somos clientes fiéis. Não há espaço para existências singulares, modos de viver diferentes, tudo precisa obedecer um padrão: é preciso ser feliz o tempo todo.

O sofrimento é sempre encarado como algo que precisa ser banido ou ludibriado, e dessa forma estamos reduzindo as experiências de sofrimento a categorias médicas , por exemplo. Como uma doença que precisa ser medicada e ponto final. Não estou dizendo que em muitas experiências de sofrimento o adoecimento vem junto e o tratamento medicamentoso é necessário e eficiente. No entanto, não podemos reduzir toda experiência de sofrimento à categoria de doença.

Fico sempre refletindo: de que forma encaramos o sofrimento? Será que uma experiência de sofrimento não teria algo a nos ensinar? Será que o sofrimento não teria uma função em nossas vidas? Será que o sofrimento não poderia ser encarado de outra forma? Como um momento importante de se colocar em análise algumas coisas que são pilares da vida, como as relações amorosas, relações de amizade, inserção social, vida financeira, percepções de si mesmo, etc...

Enfim, como produzir formas de lidar com o sofrimento sem que seja apagando-o, nem tratando-o como um objeto que pode ser facilmente retirado de nossas existências? Convido o leitor a sair “fora da caixa” também e perguntar se não estamos fazendo um uso impotente de algo tão importante como o sofrimento.




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